Xpand Consultoria - A energia no Brasil

A energia no Brasil

Seria muito difícil entender como é a matriz energética no Brasil hoje sem antes entender como ela foi no passado e, quais eventos a fizeram chegar no que é hoje. Até a Segunda Guerra Mundial, a principal matriz energética do Brasil era a lenha. Com o fim da Guerra e o começo da industrialização no Brasil, foi necessária uma adaptação da matriz energética brasileira, sendo criado dois grandes sistemas: o elétrico, para alimentar as cidades e parte das indústrias e o petróleo e o gás, que servia a outra parte das indústrias e os transportes.

Outro ponto a ser observado é que o Brasil, desde 1922, vinha tentando implementar o álcool como parte dos combustíveis utilizados na combustão, como forma de equalizar a demanda do açúcar, que estava fragilizada. Tanto que, em 1973, com a crise do petróleo, foi criado o Programa Nacional do Álcool, que tinha por objetivo substituir os combustíveis derivados do petróleo.

Enquanto isso, o Brasil dependia, durante muitos anos, da distribuição de petróleo feita pelas multinacionais que estavam no país. Isso começou a mudar em 1953, com o decreto de exploração monopolista da Petrobras. Graças aos altos investimentos públicos e as descobertas feitas pela Petrobrás, de grandes jazidas de petróleo (em especial, no Rio de Janeiro), o Brasil

conseguiu chegar à independência do combustível fóssil em 2006 e, a partir de 2007, a descoberta do pré-sal fez com que o país se tornasse também um grande exportador.

Faz parte também da matriz energética brasileira a energia nuclear (mesmo que não seja uma grande protagonista). Ela remonta do ano de 1930, com a vinda de cientistas europeus para a Universidade de São Paulo, o que fez com que houvesse os primeiros estudos sobre física no Brasil, e que posteriormente, com vários incentivos governamentais, desenvolveu-se para grande parte de São Paulo (criação do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), junto à Escola Superior de Agricultura da USP, em Piracicaba) e para o Rio de Janeiro, com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) (1956), por exemplo.

Foi em 1971 que a CNEN recebeu a incumbência de implantar a central nuclear de Angra I e começar o projeto que visava a Energia Nuclear como complementadora das usinas hidrelétricas para suprir a demanda elétrica do país. A partir desses estudos que foram construídos Angra I e II, e agora, com investimentos em Angra III, de forma a flexibilizar a matriz energética do país e torna-lo menos dependente da energia vinda de Hidrelétricas.
Como mostra o gráfico, as usinas nucleares nunca chegaram a ter grande importância para a geração de energia elétrica no Brasil. Porém, a energia provinda de usinas hidrelétricas sempre teve um papel fundamental. A primeira usina hidrelétrica brasileira remonta do século XIX, em 1889, que tinha por objetivo alimentar a indústria de tecidos de um grande industrial da época. Desde então, as usinas hidrelétricas se tornaram fundamentais para o país, que dependeu de gigantescos investimentos estatais para a criação dessa matriz energética (em especial, no século XX) como o Brasil possui o ambiente propício, já que o Brasil possui cerca de 12% da água doce mundial (de acordo com a Agência Nacional de Águas) e grandes rios, que podiam ser utilizados para esse fim. A maior usina fornecedora de energia elétrica no Brasil é a binacional de Itaipu, no Rio Paraná (tanto que, o maior gerador de energia elétrica do país é o Paraná).

O sul (Rio Grande do Sul) e o nordeste do país começaram a se destacar nos últimos anos com maior geração de energia elétrica devido ao avanço das usinas eólicas. De acordo com os dados do Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2020, feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de 2012 até 2019, a geração de energia elétrica vinda de usinas eólicas cresceu 1109%, sendo que, grande parte desse crescimento é no nordeste e o sul do país, onde há maior potencial para a geração energia por essa fonte.
Assim como a geração, o consumo de energia elétrica é bem concentrado no Brasil. O Sul e o Sudeste, são as regiões com maior geração de energia elétrica, o que facilita a distribuição, já que, eles também são os maiores consumidores, como pode ser observado no gráfico “Consumo por região geográfica (GWh)”. Como as maiores classes consumidoras são, respectivamente, industriais e residenciais (conforme o gráfico “consumo por classe (GWh)”), faz sentido que, especialmente a região sudeste, pela densidade populacional e por ser a região mais industrializada do país seja a maior consumidora.

Já a região sul, segundo maior PIB do país (de acordo com o IBGE), junto com a região
nordeste, terceiro maior PIB do país, são os outros grandes responsáveis pelo consumo de energia elétrica do país.

Portanto, não foram poucas as tentativas de diversificação da matriz energética no Brasil, e com essas muitas tentativas, o país consegue ser um dos menos poluentes do
mundo, com foco especial para a energia vinda de hidrelétricas, energia eólica e o álcool. Temos um ponto de partida muito mais avançado que uma grande quantidade de países desenvolvidos para um desenvolvimento energético sustentável, mas precisamos de governos que permitam e acelerem esse desenvolvimento tão importante para as futuras gerações.


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