A Energia Solar Fotovoltaica se tornou popular na última década no Brasil, mesmo se tratando de uma fonte
de energia amplamente consolidada em diversos países do mundo. Esse aumento de projetos foi impulsionado
pela regulamentação da Geração Distribuída no país pela ANEEL com a NR 482/2012, posteriormente atualizada
pela NR 687/2015, responsáveis por estabelecer as condições para o acesso de micro e minigeração
distribuída de energia elétrica.
Mas como essas Resoluções Normativas se relacionam com a energia solar?
De forma resumida, as NR 482 e 687 permitiram o acesso individualizado à Geração de Energia Elétrica por
fontes renováveis, além de tornarem possível que o excedente da energia produzida seja convertido em
créditos nas faturas dentro de um período de 5 anos. Algumas modalidades foram regulamentadas com o
intuito de permitir o maior acesso à Geração Distribuída, fazendo com que não seja necessário instalar
placas fotovoltaicas no mesmo local da unidade consumidora, embora ambas as unidades, geradoras e
consumidoras, precisem estar sob a mesma titularidade (CPF/CNPJ) e na mesma região das Distribuidoras.
Todo esse ambiente favorável à geração de energia elétrica por fontes renováveis foi responsável por um
aumento significativo de projetos fotovoltaicos nos últimos cinco anos, que trouxeram redução de custos
expressivos com energia elétrica, principalmente para os setores residencial e comercial. Entretanto, para
entender se a instalação de sistemas fotovoltaicos é realmente viável em uma empresa, alguns fatores
precisam ser levados em consideração: tais como o Consumo de Energia, Localização e o Payback.
O Consumo Energético é um fator que precisa ser avaliado com cautela para a adoção de projetos
fotovoltaicos, pois existe a opção do Ambiente de Contratação Livre para aquelas empresas com demanda
contratada superior a 500 kW, onde é possível negociar os contratos de energia com as comercializadoras e
não apenas com a distribuidora, além de permitir a contratação de energia proveniente de uma usina solar,
sem a necessidade de investimento em um projeto próprio.
Outra avaliação fundamental para o projeto é sobre a localização do sistema fotovoltaico, mesmo se
realizado na própria empresa ou em outro endereço, uma vez que a localização é fundamental para estimar a
irradiação solar média no local para avaliar a capacidade de geração das placas ao longo do ano.
Embora a instalação e posterior manutenção das placas sejam rápidas e a geração da sua própria energia
possa se tornar realidade em um curto período, desde sua fase inicial até conclusão do projeto, o retorno
sobre esse investimento dificilmente ocorrerá em menos de 6 anos, ou seja, é necessário um planejamento e
pensamento de longo prazo para a execução desse tipo de projeto sem que haja muitas dores de cabeça,
situação que não retrata a realidade de muitas empresas brasileiras. Considerando que a vida útil das
placas comercializadas atualmente gira em torno de 25-30 anos, o investimento nas placas fotovoltaicas é
realmente atrativo e permite o consumidor ficar livre das oscilações da tarifa de energia que ocorrem
principalmente nas épocas de estiagem e diminuição da geração de energia nas hidrelétricas.
Do ponto de vista socioeconômico e ambiental, é indiscutível que o investimento em projetos fotovoltaicos
possui vantagens significativas, como o aumento de empregos nesse setor, geração de eletricidade
renovável, limpa e com baixa emissão de gases de efeito estufa, considerando todo o ciclo de vida.
Finalmente, é necessário estudar e avaliar com muita cautela as variáveis para a tomada de decisão neste
tipo de projeto, para então poder considerá-lo como um ótimo investimento de longo prazo.