É impossível refletir sobre o papel da Medicina Diagnóstica sem associar às transformações vivenciadas
por toda a sociedade nos últimos anos. Há algumas décadas, o setor de Medicina Diagnóstica presenciava uma
corrida tecnológica, focando em equipamentos de última geração e novos exames para atender às necessidades
do setor. Por outro lado, hoje em dia o foco inovativo do setor está caminhando para soluções que envolvam
inteligência artificial, analytics e Big Data.
Quando se traça um paralelo com a realidade atual, com todas as medidas de restrição de circulação de
pessoas imposta pelos governos para conter a transmissão da COVID-19, observamos um aumento significativo
na modalidade de telemedicina que foi regulamentada em caráter emergencial e temporário em março desse
ano, mas que tende a receber maiores investimentos dos players envolvidos em decorrência dos resultados
satisfatórios, tanto para médicos quanto para pacientes, assim que houver uma consolidação.
Embora existam ressalvas sobre essa nova modalidade, principalmente no que diz respeito à eficiência do
atendimento, médicos e pacientes relatam que é possível a realização de uma consulta de qualidade e
humanizada, mesmo que de forma remota. Além disso, é possível que os médicos prescrevam receitas à
distância, com base em suas assinaturas digitais. Essa nova situação abre possibilidades pouco exploradas
até então, como a própria diminuição de custos com aluguel de consultórios e maiores opções de atendimento
para a população que não vive nos grandes centros urbanos do país, onde há uma gama maior de
especialistas.
Quando se trata da abordagem utilizada pelo setor de medicina diagnóstica, o foco sempre foi voltado aos
exames laboratoriais e de imagem, solicitados muitas vezes de forma reativa e preventiva, quando já há uma
indicação médica ou intenção do paciente em realizar esse tipo de acompanhamento. A busca dos setores para
os próximos anos é que esse fluxo tenda para uma abordagem preditiva com o avanço da Saúde 4.0, toma-se como exemplo o mapeamento genômico,
responsável por descobrir os genes responsáveis por doenças hereditárias e que pode auxiliar na prevenção
de futuras enfermidades, considerando que é muito menos custoso tratar uma doença como o câncer em seus
estágios iniciais do que finais, tanto do aspecto econômico quanto psicológico.
Por outro lado, esses exemplos de tratamentos ainda não são acessíveis a maior parte da população, mas já
é possível vislumbrar cenários para os próximos anos onde acompanhamentos cada vez mais assertivos e
respaldados pela Inteligência Artificial estarão presentes na vida das pessoas. É viável descrever um
cenário em que essas soluções estejam cada vez mais customizadas e personalizadas de acordo com o tipo de
usuário, fazendo com que a área de medicina diagnóstica esteja mais voltada à experiência do usuário.
Ainda não se sabe ao certo o quanto essas transformações irão impactar nossas vidas, mas sabemos que essa
parceria entre ciência e inovação será responsável por revolucionar todo um setor que até pouco tempo
atrás investia em novos maquinários e que agora passa a investir cada vez mais na tecnologia e na
digitalização.