05/11/2020 SAÚDE // GABRIEL FALCÃO - REVISADO CAIO MINUCCI
Todos sabemos da forte recessão que o mundo, como um todo, está vivendo. De acordo com o relatório
de junho de 2020 do Banco Mundial, o PIB real mundial deve cair em torno e 8% em 2020, sendo que,
países como o México, o Brasil e a Itália chegarão muito próximo dos 10%. Quais são os principais
fatores dessa grande queda na economia? Há alguém se “beneficiando” com a essa crise?
O gráfico “EUA: PIB real, Var. T/T anualizada”, divulgado pelo Banco Central do Brasil, mostra os danos
da pandemia na economia norte americana.
No gráfico, o PIB pode ser visto como uma função do consumo, das exportações liquidas (exportações
menos importações), da variação nos estoques, dos lucros/prejuízos do governo e da formação bruta de
capital fixo (FBKF, que mensura o aumento de bens de capital das empresas, bens esses que são os
responsáveis por produzir outros bens).
Podemos observar, a partir do gráfico que, com a pandemia, a queda no consumo foi gigantesca. Com uma
variação tão grande no consumo, é praticamente impossível que qualquer economia no mundo se sustente, e
assim, entramos em recessão.
Além da redução do consumo interno dos países, houve também uma diminuição no comércio mundial,
sendo que, para países desenvolvidos, é estimado uma queda de 13,4%, enquanto, para países emergentes,
a queda estimada é de 9,4%. O Brasil, nesse caso, é uma exceção à regra, já que não houve uma queda
tão grande
(de volume exportado), em tal grau que, mesmo durante a pandemia, em maio de 2020, as exportações
cresceram cerca de 5,6%, segundo o governo brasileiro, sendo os dois principais motivos para isso:
A desvalorização do real frente ao dólar, o que incentiva as exportações e diminui as importações;
A continuação da “guerra comercial” vivida por EUA e China. De acordo com o Instituto Peterson de
Economia Internacional, a compra de produtos agrícolas dos EUA por parte da China foi de apenas 39% da
meta assinada por ambos os países em janeiro de 2019. Como a China, mesmo que não compre produtos Norte
americanos, ainda precisa desses produtos, países como o Brasil, exportadores agropecuários, acabam tendo
aumento das vendas para a China.
A queda no consumo mundial causa, diretamente, uma redução da produção, e isso faz com que as
empresas necessitem reduzir custos e, muitas vezes demitir colaboradores, gerando aumento do
desemprego. Os Estados Unidos tinham, até pouco tempo antes começar a pandemia, as menores taxas de
desemprego da sua história. Com a pandemia e a mudança do cenário econômico, em menos de um mês,
entre março e abril de 2020, essa mesma taxa, que era de menos de 4%, chegou a 14,5%.